quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Tecelão

Desde a alvorada até a noitinha,
sigo tecendo mortalhas de dor,
e pouco a pouco minh'alma definha,
deste trabalho que foram me impor.

Eis que ao notarem aquilo que faço,
vem criticar-me sem dó nem piedade:
"Olha! Ele mesmo concebe seu laço,
e depois quer receber caridade."

Mas o que nem sequer podem pensar,
é que não posso escolher o que teço,
pois só me dão estes fios de pesar,
mesmo sendo de alegria os que peço.

Quando implorei com: "Me deixe fazer
mantas douradas", da Vida eu ouvi:
"Não ouses nunca tentar me reger!
Trabalhas com o que tenho pra ti."

Breno Sarranheira

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Imagem: peixesempeixes.arteblog.com.br


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