quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Era uma vez

Eu vou contar-vos uma bela história,
duma princesa dos tempos atuais,
mas que mesmo assim evoca memórias,
daquelas antigas, das ancestrais.

Era uma vez uma meiga donzela,
que trabalhava com muito vigor,
e só queria o que qualquer um anela,
ter a sua vida repleta de amor.

Mas apesar de ser muito esforçada,
o seu esforço não era apreciado.
Na sua casa era muito maltratada,
por aquele com quem tinha casado.

Pouco a pouco, seu olhar brilhante,
seu coração, começou a atraiçoar,
e eu vi que o seu verdadeiro semblante,
era o que ela tentava não mostrar.

Suas tristezas passou-me a relatar,
destilando a agonia do coração.
Tudo que ela tinha de suportar,
tantas dores, tanta ingratidão.

Toda sua mágoa eu gravava na mente,
tentando abafar o que o peito urrava:
indignação dela ser complacente,
com as feridas das quais se queixava.

Um dia por fim não pude suportar,
continuar a ver sua humilhação.
Fui embora jurando não voltar,
sem ver que ela tinha meu coração.

Havendo já muito tempo passado,
é que resolvi procura-lo então,
quis saber se ela mo tinha roubado,
ou se o recebera da minha mão.

Tolo, achei que não iria sentir nada,
que meu pulso não ia acelerar.
Não entendia a frase celebrada:
"Amor puro nunca vem a acabar."

E chegando lá fiquei pasmado,
quando ela me mostrou meu coração.
Estava tal qual o tinha deixado,
nenhuma marca, nenhum arranhão.

Mas por fim eu tive pois que partir,
talvez não estivesse destinado,
embora eu saiba o que vim a sentir,
amor nunca antes experimentado.

Sei que esta história não é animada,
não tendo o final que lhe é costumeiro,
mas ao contrário dum conto de fada,
esta é uma história de amor verdadeiro.

Breno Sarranheira.

Imagem: mensagenscomamor.com



2 comentários:

  1. Que linda, que tal colocar essa em seu vídeo declamando?

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    Respostas
    1. Obrigado Janaina, vou declamar todos eles, vai é demorar um pouco dado que são muitos. Bjnhos, fica bem

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