quarta-feira, 28 de maio de 2014

Noite inquieta

Velando meu leito ao anoitecer, 
sigo compondo meus humildes versos, 
mas me assombram espíritos perversos, 
que tudo fazem pra me enlouquecer. 

Persistentes, querem me derrotar,
por isso me esmurram a todo instante,
num combate cruel, covarde e incessante,
tentando a todo custo me matar.

Ímpios como ninguém mais sabe ser,
torturam-me com lembranças passadas,
memórias a sete chaves lacradas,
coisas que sigo tentando esquecer.

Passam do meu próprio sangue a fazer,
terrível e mais puro amargo vinho,
que então me obrigam a beber sozinho,
sem dar chance para me defender.

Ao bebê-lo sinto o peito queimar,
inebriando-me de pura tristeza,
que até mesmo sinto da alma a leveza,
querendo do corpo se libertar.

E até quando tento ao sono escapar,
pensando de tudo ter me livrado,
já eles me esperam lá do outro lado,
pra continuarem a me atormentar.


Breno Sarranheira




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Grato por ler.

Imagem: gettyimages.com

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