sexta-feira, 10 de maio de 2013

Despedidas

                Nunca fui bom a despedir-me. Odeio aquele clima mórbido e nostálgico que se instala. Eu as comparo às vacinas: são indispensáveis, e tem mesmo de serem realizadas, no entanto, se reagirmos mal enquanto ela se efetua, iremos tornar o momento mais dolorosa do que devia ser.

                Recebi muitas vacinas nos últimos dias, mas nenhuma delas se comparou a que recebi de meus familiares no dia 7 de Maio de 2013, no aeroporto de Lisboa. Despedirmo-nos de amigos e da família exterior é fácil, mas despedirmo-nos daqueles que vivem na nossa casa é extremamente exaustivo.

                Cada vez que nos apercebemos de o que quer que estejamos fazendo estamos fazendo pela última vez, naquele ambiente, daquele modo, com aquelas pessoas, é como se nos fosse dada uma facada no coração, mesmo que seja algo tão simples como olhar pela janela.

                Isso acontece porque somos atingidos de súbito por ma marreta de entendimento da preciosidade de tal coisa, por mais banal que seja. Apercebemo-nos de que aquilo já faz parte da nossa vida e que vamos lamentar a sua perda. Às vezes é mais doloroso despedirmo-nos de coisas como estas do que de pessoas.

                O post já acabou, por isso tenho de me despedir. Não quero demorar muito porque nunca fui bom nisso.

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